Mary Del Priore, Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Pen Club
Dirce De Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde Em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ
O artigo acima, que transcreveremos para o nosso blog em vários capítulos, deve ser lido por todos aqueles que desejam despertar, de como a História influencia hábitos alimentares, para gerar padrões de valores culturais no inconsciente coletivo, servindo aos interesses da dominação.
"Todos sabemos que a relação com a alimentação e, consequentemente, com o corpo dela decorrente é uma construção cultural. Cada cultura, em diferentes momentos históricos construiu uma representação específica sobre a fome ou a saciedade; a gordura ou a magreza. Na idade média os corpos femininos eram muito representativos da dieta magra que consumiam e mais: da crença do pecado da gula. Comer em demasia levava direto às portas do inferno. Na idade Moderna, entre os séculos XVI e XVIII, a entrada do açúcar e da batata no cardápio europeu, vindos da América do Sul, modificou o padrão de beleza feminina. Os corpos ganharam em gordura e peso, símbolo do consumo de produtos importados. A primeira metade do século XIX, investiu na abundância alimentar prodigalizada pelas revoluções industriais, a ascensão da burguesia e o consumo modificado por tecnologias de refrigeração e acondicionamento dos alimentos: nasce a embalagem à vácuo, a carne refrigerada, as latas de grãos e legumes. Graças à navegação à vapor, alimentos podiam ser transportados de um lado a outro do mundo, introduzindo novos sabores às dietas originais. De novo, os padrões se modificaram ao final do século XIX, com o surgimento do esporte e a democratização de corridas de bicicleta, regatas e outras atividades ao ar livre. A presença de imigrantes europeus, consolidou a fundação de clubes esportivos, enquanto uma nova relação se estabelecia com a vida urbana. Considerada sufocante e doentia - a palavra neurastenia nasce no início do século dezenove para designar as doenças provocadas pela correria e a poluição - a cidade vai convidar a vida saudável, na busca de ar livre e atividade. Os corpos começam a afinar. Atualmente, caem bem as palavras do artista americano Marlon Brando: "entre mercadores da magreza ser gordo é revolucionário!", designando a obsessão pela magreza, num mundo de abundância alimentar, sobretudo nos países desenvolvidos.
Com o objetivo de melhor entender essas distinções buscamos na história as explicações para dar conta do contexto atual.
Dirce De Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde Em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ
O artigo acima, que transcreveremos para o nosso blog em vários capítulos, deve ser lido por todos aqueles que desejam despertar, de como a História influencia hábitos alimentares, para gerar padrões de valores culturais no inconsciente coletivo, servindo aos interesses da dominação.
"Todos sabemos que a relação com a alimentação e, consequentemente, com o corpo dela decorrente é uma construção cultural. Cada cultura, em diferentes momentos históricos construiu uma representação específica sobre a fome ou a saciedade; a gordura ou a magreza. Na idade média os corpos femininos eram muito representativos da dieta magra que consumiam e mais: da crença do pecado da gula. Comer em demasia levava direto às portas do inferno. Na idade Moderna, entre os séculos XVI e XVIII, a entrada do açúcar e da batata no cardápio europeu, vindos da América do Sul, modificou o padrão de beleza feminina. Os corpos ganharam em gordura e peso, símbolo do consumo de produtos importados. A primeira metade do século XIX, investiu na abundância alimentar prodigalizada pelas revoluções industriais, a ascensão da burguesia e o consumo modificado por tecnologias de refrigeração e acondicionamento dos alimentos: nasce a embalagem à vácuo, a carne refrigerada, as latas de grãos e legumes. Graças à navegação à vapor, alimentos podiam ser transportados de um lado a outro do mundo, introduzindo novos sabores às dietas originais. De novo, os padrões se modificaram ao final do século XIX, com o surgimento do esporte e a democratização de corridas de bicicleta, regatas e outras atividades ao ar livre. A presença de imigrantes europeus, consolidou a fundação de clubes esportivos, enquanto uma nova relação se estabelecia com a vida urbana. Considerada sufocante e doentia - a palavra neurastenia nasce no início do século dezenove para designar as doenças provocadas pela correria e a poluição - a cidade vai convidar a vida saudável, na busca de ar livre e atividade. Os corpos começam a afinar. Atualmente, caem bem as palavras do artista americano Marlon Brando: "entre mercadores da magreza ser gordo é revolucionário!", designando a obsessão pela magreza, num mundo de abundância alimentar, sobretudo nos países desenvolvidos.
Com o objetivo de melhor entender essas distinções buscamos na história as explicações para dar conta do contexto atual.
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