Mary Del Priore, Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Pen Club
Dirce De Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ
No século XX os Estados Unidos passam por transformações muito importantes no que diz respeito à alimentação, vivendo uma obsessão por regimes dietéticos ligados a determinados movimentos religiosos. Um dos movimentos mais importantes foi aquele criado pelo Dr. Kellog. Ele era ligado à Igreja Adventista do Sétimo Dia e propôs uma revolução dietética nos Estados Unidos. Kellog pretendia fundar sanatórios, onde se combatessem, através de dietas, problemas de saúde. A ideologia do Dr. Kellog preconizava não só a ingestão de determinados alimentos combinados com tratamentos, como preconizava que havia uma estreita relação entre alimentos e atividade sexual. Uns influindo sobre os outros. A alimentação reduzida, remetia a pouca atividade sexual, ambas amplamente recomendáveis para uma boa forma física, acreditava Kellog. Por isso, enquanto os franceses se enchiam de ostras por causa dos componentes afrodisíacos do molusco, os americanos procuravam controlar tudo que dizia respeito ao sexo. A ausência de alimento e ausência de sexo começam, neste momento a caminhar de mãos dadas.
Kellog encabeçou o maior movimento que jamais se viu nos EUA contra a masturbação. E precisamos lembrar que esse movimento acontece depois de Freud, que havia revolucionado a visão sobre a prática do então chamado "vício solitário". O renomado psicanalista, via sua prática como algo que podia fazer bem à saúde, não devendo ser evitada.
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