Mary Del Priore, Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Pen Club
Dirce De Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ
O corpo feminino traz as marcas mais evidentes destas mudanças. No início do século XX, vimos as pesadas matronas der Renoir serem substituídas pelas sílfides de Dégas. E depois delas, com a maciça entrada da mulher no mercado de trabalho, aparecem as "flappers", donas de corpos quase masculinos, quadris estreitos e poucos seios. A pílula anticoncepcional, difundida nos anos 60, consolidou o aspecto andrógino da mulher, agora, também trabalhado em academias e aparelhos de body-building. A norma estética passou a afiná-l0, endurecê-lo e masculinizá-lo, deixando para trás a forma de ampulheta ou do violão, tão admiradas até o século XIX. Regime e musculação começavam a modelar as compleições esguias que passam a caracterizar a mulher moderna, que finalmente se livra do espartilho, queimando os sutiãs.
Enquanto uma revolução se operava nos corpos, outra tinha lugar no cozinha. A grande diferença entre EUA e Europa é que enquanto a Europa Ocidental levou centenas de anos inventando a gastronomia, os EUA em pouquíssimo tempo inventaram a gastro-anomia. O Mac Donalds é o protótipo do capitalismo pós-guerra nos EUA, e ele chega com a cultura do automóvel e do consumo em massa, e dos produtos descartáveis. Apresenta-se como modo de vida, juntamente com a industrialização do entretenimento e a ingestão de alimentos que podem ser rapidamente digeridas. Sem esquecer o crescimento da propaganda que vai tornar o marketing mais importante que o próprio produto.
O marketing do Mac Donalds hoje é muito mais forte ou muito mais importante do que o produto que aí é oferecido.
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