Mary Del Priore, Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Pen Club
Dirce de Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ
Como nos mostra a História, nem sempre o binômio gordo&magro se apresentou da mesma maneira. Hoje a obesidade é um problema de saúde pública mundial.
O século XXI chegou fazendo exigências cruéis e impondo novas condições de existir, principalmente para a figura feminina. A mulher atual tem que ser independente, inteligente, saudável e... sobretudo MAGRA. Hoje, algoz não tem rosto, é a mídia! O culto ao corpo magro vai engendrando e produzindo novas subjetividades. A preocupação com a beleza suplanta aquela com a saúde, criando falsas expectativas de felicidade eterna. Próteses, plásticas e lipoaspirações: tentativas tecnológicas de proporcionar à mulher sentir-se mais magra, portanto, para os padrões do século XXI, mais bonita.
A crescente demanda de queixas corporais, como a anorexia, a bulimia e a obesidade, aponta para uma realidade psíquica que considera o Corpo um bem que pode ser modificado e esculpido, portanto, também passível de muito menos aceitação, promovendo o que chamamos de "psicopatologia do corpo na vida cotidiana".(Maria Helena Fernandes, Corpo, São Paulo: Casa do Psicólogo)