segunda-feira, 29 de agosto de 2011

9 - A PREOCUPAÇÃO COM A BELEZA E A FALSA EXPECTATIVA DA FELICIDADE ETERNA - PEQUENO HISTÓRICO PARA COMPREENSÃO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES NO SÉC XXI



Mary Del Priore, Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Pen Club
Dirce de Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ



Como nos mostra a História, nem sempre o binômio gordo&magro se apresentou da mesma maneira. Hoje a obesidade é um problema de saúde pública mundial.
O século XXI chegou fazendo exigências cruéis e impondo novas condições de existir, principalmente para a figura feminina. A mulher atual tem que ser independente, inteligente, saudável e... sobretudo MAGRA. Hoje, algoz não tem  rosto, é a mídia! O culto ao corpo magro vai engendrando e produzindo novas subjetividades. A preocupação com a  beleza suplanta aquela com a saúde, criando falsas expectativas de felicidade eterna. Próteses, plásticas e lipoaspirações: tentativas tecnológicas de proporcionar à mulher sentir-se mais magra, portanto, para os padrões do século XXI, mais bonita.
A crescente demanda de queixas corporais, como a anorexia, a bulimia e a obesidade, aponta para uma realidade psíquica que considera o Corpo um bem que pode ser modificado e esculpido, portanto, também passível de muito menos aceitação, promovendo  o que chamamos de "psicopatologia do corpo na vida cotidiana".(Maria Helena Fernandes, Corpo, São Paulo: Casa do Psicólogo)


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

8 - A PREOCUPAÇÃO COM A BELEZA E A FALSA EXPECTATIVA DA FELICIDADE ETERNA -PEQUENO HISTÓRICO PARA COMPREENSÃO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES NO SÉC XXI



Mary Del Priore, Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Pen Club
Dirce De Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ


Tratar, hoje, o Corpo não deve se restringir ao campo da medicina ou da biologia, mas, com certeza, precisa considerar o psíquico. Hoje já não encontramos mais bons profissionais de saúde que dispensam os aspectos psicológicos no tratamento dos transtornos alimentares.
Ao trazer o foco para o ato de comer encontramos a tríade fundante "pai-mãe-bebê", que muito explica sobre as instâncias alimentares sob as quais o sujeito se estrutura, e que pressupõe: "alimentar" o bebê "ser alimentado" pelo pai, ao mesmo tempo permitir que a mãe cumpra seu papel alimentador, sendo ela também "alimentada" em suas necessidades. Deparamo-nos, assim, com um Corpo que recebe alimento e que é alimento. O ato de alimentar e ser alimentado deve ser pensado para além da mera sobrevivência, mais especificamente como possibilidade de oferecer a elaboração dos registros que constituirão o "habitar-se", ou o apropriar-se do próprio corpo imerso na relação com o outro.
À luz das histórias e das estórias presentes no passado alimentar de nossos antepassados, que a transgeracionalidade se incumbe de revelar, constatamos que as dificuldades com o Corpo se fazem cada vez mais presente na clínica contemporânea em geral, e em particular na clínica psicanalítica, refletindo a imagem do mal-estar na atualidade. É o corpo falando quando o sujeito se vê impossibilitado de usar a linguagem, expressando uma dificuldade de simbolização, presente nos processos de adoecimento de uma sociedade marcada por uma epidemia de transtornos alimentares.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

7 - A PREOCUPAÇÃO COM A BELEZA E A FALSA EXPECTATIVA DA FELICIDADE ETERNA - PEQUENO HISTÓRICO PARA COMPREENSÃO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES NO SÉC XXI



Mary Del Priore, Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Pen Club
Dirce De Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ



Há diferentes representações em torno do ato de se alimentar. Antigamente, o comer acontecia em momentos muito regrados e reuniam as pessoas em torno da comida, com grande carga simbólica. Já nos dias de hoje, nós comemos abundantemente e individualmente. Nesta dinâmica o lugar da televisão exerce fundamental importância.
Em muitas casas as pessoas comem na frente da televisão. Nos restaurantes, hoje, a televisão fica ligada, significando ingerir comida, sem nenhum investimento simbólico, sem nenhum prazer de estar junto, nenhum prazer na descoberta da refeição.
A facilidade de acesso ao alimento, e a obsessão pela tríade: juventude, saúde e beleza, tem como resultado desta longa história a criação de um "corpo de classe". De um lado encontramos as pessoas que tem acesso financeiro aos alimentos mais sofisticados, menos destituídos de valores calóricos, que tem acesso à dietas caras, ao personal trainer e à cirurgia plástica.
De outro lado o restante da população, que é a grande maioria, ingerindo comportamentos ditados pela mídia, que, em última instância, são ditados pela necessidade  de uma reeducação alimentar. Continuamos criando corpos para a elite, que são corpos que diferem muito dos corpos da massa desfavorecida.
Para melhor compreensão das dificuldades que se manisfestam na atualidade, em forma de transtornos  alimentares, a história da nossa alimentação é de fundamental importância. Ela atua como um dos veículos que podem esclarecer os alicerces sobre os quais se fundam as vigas dos inúmeros distúrbios da imagem corporal que sustentam a anorexia, a bulimia e a obesidade. Para uma boa elaboração desse reflexo do social no individual, um profícuo ponto de partida é o pressuposto básico de que o alimento é uma forma de afeto, que utiliza o Corpo também como uma manifestação da sua relação com o outro


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

6 - A PREOCUPAÇÃO COM A BELEZA E A FALSA EXPECTATIVA DA FELICIDADE ETERNA - PEQUENO HISTÓRICO PARA COMPREENSÃO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES NO SÉC XXI



Mary Del Priore, Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Pen Club
Dirce De Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ


O corpo feminino traz as marcas mais evidentes destas mudanças. No início do século XX, vimos as pesadas matronas der Renoir serem substituídas pelas sílfides de Dégas. E depois delas, com a maciça entrada da mulher no mercado de trabalho, aparecem as "flappers", donas de corpos quase masculinos, quadris estreitos e poucos seios. A pílula anticoncepcional, difundida nos anos 60, consolidou o aspecto andrógino da mulher, agora, também trabalhado em academias e aparelhos de body-building. A norma estética passou a afiná-l0, endurecê-lo e masculinizá-lo, deixando para trás a forma de ampulheta ou do violão, tão admiradas até o século XIX. Regime e musculação começavam a modelar as compleições esguias que passam a caracterizar a mulher moderna, que finalmente se livra do espartilho, queimando os sutiãs.
Enquanto uma revolução se operava nos corpos, outra tinha lugar no cozinha. A grande diferença entre EUA e Europa é que enquanto a Europa Ocidental levou centenas de anos inventando a gastronomia, os EUA em pouquíssimo tempo inventaram a gastro-anomia. O Mac Donalds é o protótipo do capitalismo pós-guerra nos EUA, e ele chega com a cultura do automóvel e do consumo em massa, e dos produtos descartáveis. Apresenta-se como modo de vida, juntamente com a industrialização do entretenimento e a ingestão de alimentos que podem ser rapidamente digeridas. Sem esquecer o crescimento da propaganda que vai tornar o marketing mais importante que o próprio produto.
O marketing do Mac Donalds hoje é muito mais forte ou muito mais importante do que o produto que aí é oferecido.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

5 - A PREOCUPAÇÃO COM A BELEZA E A FALSA EXPECTATIVA DA FELICIDADE ETERNA - PEQUENO HISTÓRICO PARA COMPREENSÃO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES NO SÉC XXI



Mary Del Priore, Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Pen Club
Dirce de Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ


A chegada do Mac Donalds acontece quando os  irmãos abrem o primeiro drive-in na cidade de Arcádia, na Califórnia e 2 anos depois em San Bernardino. Nasceu assim o conhecido fast food, que na época eram alimentos concebidos para serem consumidos dentro dos automóveis, em função do grande boom da indústria automobilística. No início não se vendia hambúrguer, o que se vendia eram hot-dogs, sanduíches de carne, além do milk shake. O hambúrguer, originário da cidade de Hamburgo, era um bife tártaro de carne crua, que ao chegar, em 1904 nos EUA, vai ser cozido, nascendo assim o hambúrguer, como refeição que podia ser rapidamente preparada e ingerida em 15 segundos, transformando-se na bandeira do Mac Donalds. A preocupação da empresa era transformar o alimento numa cadeia industrial tão eficiente quanto a cadeia automotiva. Outros produtos vão sendo industrializados na época, combinando a racionalização do trabalho com um bom produto final. Trata-se do Taylorismo aplicado à alimentação, que visava alimentar um operário nos mesmos 15 segundos em que este encaixava uma porta num automóvel, na linha de montagem.
A descrição dos primeiros fast food é bastante elucidativa a esse respeito: as pessoas esperavam em fila, umas atrás das outras, contando com cadeirinhas altas e com o balcão. Atrás da pessoa que estivesse comento, imediatamente havia outra pessoa, depois outra, formando uma fila. O ideal é que o prato ficasse na frente da criatura para que a pessoa pudesse ingeri-lo em tempo recorde, dando lugar para outra pessoa que estivesse atrás. A cena se repetia exatamente como numa fábrica. Os especialistas chamam isso de gastronomia, onde anomia é sinônimo de caos.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

4 - A PREOCUPAÇÃO COM A BELEZA E A FALSA EXPECTATIVA DA FELICIDADE ETERNA - PEQUENO HISTÓRICO PARA COMPREENSÃO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES NO SECULO XXI



Mary Del Priore, Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Pen Club
Dirce De Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ


No século XX os Estados Unidos passam por transformações muito importantes no que diz respeito à alimentação, vivendo uma obsessão por regimes dietéticos ligados a determinados  movimentos religiosos. Um dos movimentos mais importantes foi aquele criado pelo Dr. Kellog. Ele era ligado à Igreja Adventista do Sétimo Dia e propôs uma revolução dietética  nos Estados Unidos.  Kellog pretendia fundar sanatórios, onde se combatessem, através de dietas, problemas de saúde. A ideologia do Dr. Kellog preconizava não só a ingestão de determinados  alimentos combinados com tratamentos, como preconizava que havia uma estreita relação entre alimentos e atividade sexual. Uns influindo sobre os outros. A alimentação reduzida, remetia a pouca atividade sexual, ambas amplamente recomendáveis para uma boa forma física, acreditava Kellog. Por isso, enquanto os franceses se enchiam de ostras por causa dos componentes afrodisíacos do molusco, os americanos procuravam controlar tudo que dizia respeito ao sexo. A ausência de alimento e  ausência de sexo começam, neste momento a caminhar de mãos dadas.
Kellog encabeçou o maior movimento que jamais se viu nos EUA contra a masturbação. E precisamos lembrar que esse movimento acontece  depois de Freud, que havia revolucionado a visão sobre a prática do então chamado "vício solitário". O renomado psicanalista, via sua prática como algo que podia fazer bem à saúde, não devendo ser evitada.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

3 - A PREOCUPAÇAO COM A BELEZA E A FALSA EXPECTATIVA DA FELICIDADE ETERNA - PEQUENO HISTÓRICO PARA COMPREENSÃO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES NO SÉC. XXI


Mary Del Priore, Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Pen Club
Dirce De Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ


Durante os séculos XVI, XVII e XVII a Europa abandonou os seios pequenos e quadris estreitos das mulheres retratadas por pintores como Dürer, para mergulhar nas dobras das "gordinhas" de Rubens Rembrandt.
Ao final do Renascimento, as viagens ultramarinas e os contatos com a Ásia, introduziram novos produtos no mercado de alimentos. Especiarias chegavam dos entrepostos orientais: noz moscada, pimenta e gengibre. Da Turquia vinha o trigo. De Veneza e Planície do Pó, o arroz. Do Peru, veio a batata. Do Brasil e Antilhas, o açúcar. Do México, o chocolate. E da América do Sul, em geral, o milho e a mandioca.
Apesar da relativa abundância, as crises alimentares continuaram. A revolução Francesa foi marcada por violentas manifestações populares em favor de comida. A emblemática frase de Maria Antonieta - "Se não tem pão comam brioche", mais do que marcar o desprezo da elite aristocrática francesa pelo povo faminto, registrou uma mudança dietética. Depois da Revolução, as classes populares trocaram o pão de centeio, nutritivo, porém de aparência vulgar, pelo sofisticado brioche, mas que não trazia qualquer componente nutritivo.
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

2 - A PREOCUPAÇÃO COM A BELEZA E A FALSA EXPECTATIVA DA FELICIDADE ETERNA - PEQUENO HISTÓRICO PARA COMPREENSÃO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES NO SEC XXI - 2


Mary Del Priore, Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Pen Club
Dirce de Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ


O tema obesidade está muito presente hoje. Mas no passado a obesidade estava longe de ser um problema. Obesidade já foi sinônimo de beleza e formosura.
Uma mulher descadeirada ou angulosa era considerada por médicos, no século XIX, como uma doente. Milênios de fome fizeram o homem valorizar o alimento, mas hoje, em boa parte do mundo, o problema transformou-se no seu contrário. Como conviver com a abundância? Como lidar com o excesso de comida?
A História da Alimentação tem seu inicio com uma História da Fome. Dante Alighieri, na Divina Comédia disse que a fome era uma das piores realidades que assolava a humanidade. Ele descreve a morte por fome como lenta e muito dolorosa, provocando enorme sofrimento imposto de forma extremamente vagarosa. Morrer de fome era tão terrível que o autor a pinta como um dos castigos impostos aos pecadores num dos círculos do inferno. Suas imagens sobre a fome nascem da experiência concreta. Dante havia visto a Europa ser varrida pela peste negra na Idade Média. A peste, metaforizada na figura do rato negro que matava e inoculava as pessoas com a peste bubônica, se transformou numa epidemia de fome fenomenal, uma vez que os roedores atacavam, além dos agricultores, as plantações. Essa fome varreu a Europa, deixando nas figuras esquálidas o retrato de uma doença que foi, na maior parte das vezes, associada à morte.
Até o final da Idade Média, a história da alimentação é, portanto, a história da fome. É uma história de gente que morria, na maior parte das vezes, com a boca enterrada no chão, comendo capim. Ervas alucinógenas, encontradas nos campos europeus, serviam, muitas vezes, para mitigar o horror da falta de alimentos. A história do corpo na Idade Média está totalmente relacionada com tais crises frumentárias e consagraram  uma imagem do corpo esquálido, do corpo onde se podiam contar as costelas. Magreza era sinônimo de fome, doença e morte, como se pode constatar nos inúmeros quadros pintados na época.









quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A PREOCUPAÇÃO COM A BELEZA E A FALSA EXPECTATIVA DA FELICIDADE ETERNA - PEQUENO HISTÓRICO PARA A COMPRENSÃO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES NO SÉC XXI

Mary Del Priore,  Sócia Honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Pen Club
Dirce De Sá Freire, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Extraído da Revista Saúde Em Foco, da Secretaria Municipal de Saúde/RJ


O artigo acima, que transcreveremos para o nosso blog em vários capítulos, deve ser lido por todos aqueles que desejam despertar, de como a História influencia hábitos alimentares, para gerar padrões de valores culturais  no inconsciente coletivo, servindo aos interesses da dominação.


"Todos sabemos que a relação com a alimentação e, consequentemente, com o corpo dela decorrente é uma construção cultural. Cada cultura, em diferentes momentos históricos construiu uma representação específica sobre a fome ou a saciedade; a gordura ou a magreza. Na idade média os corpos femininos eram muito representativos da dieta magra que consumiam e mais:  da crença do pecado da gula. Comer em demasia levava direto  às portas do inferno. Na idade Moderna, entre os séculos XVI e XVIII, a entrada do açúcar e da batata no cardápio europeu, vindos da América do Sul, modificou o padrão de beleza feminina. Os corpos ganharam em gordura e peso, símbolo do consumo de produtos importados. A primeira metade do século XIX, investiu na abundância alimentar prodigalizada pelas revoluções industriais, a ascensão da burguesia e o consumo modificado por tecnologias de refrigeração e acondicionamento dos alimentos: nasce a embalagem à vácuo, a carne refrigerada, as latas de grãos e legumes. Graças à navegação à vapor, alimentos podiam ser transportados de um lado a outro do mundo, introduzindo novos sabores às dietas originais. De novo, os padrões se modificaram ao final do século XIX, com o surgimento do esporte e a democratização de corridas de bicicleta, regatas e outras atividades ao ar livre. A presença de imigrantes europeus, consolidou a fundação de clubes esportivos, enquanto uma nova relação se estabelecia com a vida urbana. Considerada sufocante e doentia - a palavra neurastenia nasce no início do século dezenove para designar as doenças provocadas pela correria e a poluição - a cidade vai convidar a vida saudável, na busca de ar livre e atividade. Os corpos começam a afinar. Atualmente, caem bem as palavras do artista americano Marlon Brando: "entre mercadores da magreza ser gordo é revolucionário!", designando a obsessão pela magreza, num mundo de abundância alimentar, sobretudo nos países desenvolvidos.
Com o objetivo de melhor entender essas distinções buscamos na história as explicações para dar conta do contexto atual.