Leslie Martin-Universidade da Califórnia
Extraído do Jornal Folha Universal, edição 995
Em 1921, Lewis Terman, psicólogo norte-americano, decidiu fazer uma pesquisa sobre a longevidade ,estudando e acompanhando o desenvolvimento de crianças até a terceira idade. Era provável que ele mesmo não atingisse longa idade, e então alguém teria que continuar este projeto.
Ele recrutou 1,5 mil crianças e se dedicou a acompanhá-las nas décadas seguintes, coletando dados como quantidade de atividade física, amamentação, hábitos alimentares e satisfação no emprego, no casamento e na vida sexual.
Setenta anos depois a psicóloga Leslie Martin, da Universidade da Califórnia, entrou no projeto para concluir o trabalho de Terman.
Porque algumas daquelas crianças morreram cedo enquanto outras se tornaram tataravôs?
Uma surpresa: a maioria dos conselhos de senso comum não funciona para quem deseja ter uma vida longa, que passe dos 90.
Na infância desenvolvemos muitos dos padrões que serão importantes para a nossa longevidade. Estes padrões incluem traços de personalidade e outros elementos de natureza psicossocial.
Isto não significa que as pessoas não podem mudar. Algumas mudanças são relativamente fáceis, mas outras, como a alteração de personalidade, por exemplo, levam tempo e esforço. Este tipo de mudança só acontece de forma gradual.
Padrões de vida saudável são mais importantes. Fazer atividades que você ama, é mais importante que correr um determinado número de quilômetros por semana.
Trabalhar duro em um emprego que se adora não é problema para quem deseja viver muitos anos.
Manter contatos com familiares e amigos também é essencial.
Quem na infância tem capacidade de consciência forte, vive mais. As crianças conscientes não só cuidam melhor da saúde, como também tendem a se manter no trabalho e em uniões estáveis.
A religiosidade está relacionada à vida mais longa não por causa da religião em si, mas por razão das conexões sociais que acompanham o envolvimento religioso, como ajudar pessoas, o sentimento de praticar o bem.
A mensagem principal do projeto é que não existe benefício na maioria das ações praticadas por obrigações. Algumas das coisas que achamos que vão nos ajudar a ter uma vida longa e saudável, na verdade não levam a nada, por exemplo, como cortar toda a gordura da dieta, desviam a atenção sobre outros elementos que são mais importantes, como não ter hábitos de fumar e beber, ou ter hobbies arriscados.
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